segunda-feira, 22 de abril de 2013

Um velho telhado



Venho descobrindo um vazio por dentro que antes não existia,

mas hoje se entranha em minha carne e me sufoca.

Em lembrança subo as escadas em direção ao telhado
e olho as estrelas que já observei antes.
Em outra época, mais feliz.

Pergunto a mim e a elas:
O que estou fazendo?
O tempo me escapa e no fim estou vivendo o começo novamente.

Como cheguei aqui?
Em que momento a estrada se perdeu?
E por que fico presa nessa encruzilhada?

Um dia meu sorriso foi a coisa mais importante.
Hoje é apenas preto e branco, desbotado.
E passar esse batom vermelho pode resolver por algumas horas.
Mas sempre acabo voltando ao velho telhado.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Sem querer correr


Bem mais do que palavras é o que somos capazes de sentir.

Olhar para alguém e entender que isso aqui é muito rápido.

Um minuto é uma eternidade se nos deparamos com algo errado. Uma fala, um mau sorriso, uma perna que nos desobedece. É tudo muito rápido.

Um piscar de olhos pode ser realmente um motivo de perda ou ganho. E um lacrimejar pode ser o abrir das cortinas que simplesmente se precisava.

O vento que parece tão fofo entre os dedos num dia de sol, é o mesmo que nos deixa sem nada.

Tudo isso aqui é muito rápido, e não adianta falar e falar. A garganta fica seca e a direção some. Como na batida da música que nos move num momento de prazer, de sentir.

Tudo isso é muito rápido e fim.