segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Ô vida sem sal

Se dissesse uma cor, a outra era melhor.

Se desse um palpite, o do outro era melhor.

Aquela velha história: a grama do vizinho é sempre mais verde.

Nada nunca estava suficientemente bom.

Tudo se transformava num problema. Tudo era motivo para reclamar.

E isso vai enchendo a paciência de qualquer santo!
Insatisfação geral e total, ô vida complicada!

Olhava pela janela e não gostava do que via. Abria a porta e dava desculpas para não seguir o caminho. Sempre causando...

Achava a vida difícil, se ressentia com qualquer coisa, todos participavam de uma conspiração contra sua pessoa, ô mania de perseguição!

Quando encontrava o que queria não sabia reconhecer. Claro! Sempre envolta com seus fantasmas!

Não conseguia ver a diferença. Tudo era cinza, nem preto nem branco.
Era o calçado apertado demais, era a calça folgada demais.
Não via alegria. Não conseguia se animar.
Era tudo assim sem sal e sem açúcar.
É como dizem por aí: babaca é que tem a vida atribulada!

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

São apenas escolhas

Cada segundo que eu passo aqui é como se não existisse mais esperança.

Sufoco-me entre tantos pensamentos. Palavras dispersas. Olhares distantes.

Minhas mãos tremulas não conseguem se apoiar em nada. A queda é inevitável.

Como me arrependo da escolha que fiz! Questão de minutos e eu não passaria por isso.

Agora só me resta respirar fundo e esperar.

A temperatura vai aumentando. Onde eu estou?

É um ciclo, sempre assim. Idas e vindas. Para e recomeça.

O tempo parece não passar. Sentir uma brisa? Nem pensar.

Um ponto distante prende minha atenção. Me perco numa pista que parece rodar cada vez mais rápida. Por um simples buraco consigo ver.

̶  De hoje em diante nunca mais vou perder a hora e pegar um maldito ônibus lotado. E ainda por cima esburacado!

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Insônia

Já é noite. As horas passaram rápido demais hoje. Não só hoje, ultimamente tem sido assim.

Me deito para enfim ter o merecido sono, depois de um dia desgastante e cheio de informações. Mas é estranho: não consigo me desligar.

Mesmo deitada e já passando por horas adiantadas, minha cabeça não para... É cada detalhe do que passou que agora consigo ver. Me perco nos pensamentos que antigamente não ocupavam tanto espaço, tanto tempo...

São olhares, palavras, gestos e silêncios que acabam infernizando meus dias e minhas noites...

Eu só queria no fim do dia poder deitar, ver tudo que aconteceu como um filme rápido e poder descarregá-lo.

Começo a contar carneiros, mas isso não está ajudando. Conto de 300 a zero, isso também não melhora.
Enfim, cansada de esperar por uma mudança, olho para o meu teto. Imagino um céu e nele vou contando estrelas e planetas. Dou nomes, dou cores e formatos. É o meu próprio universo que começa a se formar.
Imagino conversas. Dou risadas sozinha. E tudo que aconteceu durante o dia me ajuda a montar as histórias das minhas próprias estrelas. As estrelas do meu céu particular.
Já é quase hora de levantar. O sono finalmente dá sinais de presença. Agora sim.
E com o amanhecer meu céu vai se deitar.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Em memória

É engraçado como às vezes o destino realmente nos surpreende.

Antes tudo estava tão claro. Tão preto no branco. E hoje estou aqui envolta de pensamentos e sentimentos sofridos, tristes e desastrosos.

Talvez nem seja o destino, coitado. Nós é que temos a mania de sempre querer um culpado.

Nos últimos dias me peguei por vezes com um olhar vazio, perdido entre a neblina que se tornou minha mente. Desde que se foi...

Me lembro do olhar duro, sem nenhuma compaixão. Me lembro do andar a passos largos, para se ver livre o mais rápido possível. Eu vi. As palavras ditas se tornaram lei. E elas machucaram tanto.

Não foi culpa minha. Repeti inúmeras vezes, mas parece que ninguém escutou ou quis acreditar. E eu fiquei até o fim, senti a dor da perda. Quem sabe eu aprenda com isso.

De certa forma, no fundo, eu sabia que um dia esse dia chegaria. Mas porque tão cedo? Eu esperava ter mais tempo para aproveitar sua presença.

Desculpa por não ter conseguido. Eu realmente te queria.

Ainda posso escutar meus pais no sermão básico:

̶ Sabia que ia dar nisso! Como você consegue! Esse já é o sétimo peixe que eu te dou que acaba morrendo de fome!

̶  Filha, depois dessa vamos deixar a idéia de um cachorrinho mais para frente, tá?

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Horóscopo nunca mais

Sabe a expressão “acordar com o pé esquerdo”? Pois bem hoje eu literalmente acordei com o pé esquerdo, só não imaginava que o efeito seria mesmo ruim.  Para começar ao sair da cama enrosquei o pé no lençol tentei me apoiar com o pé esquerdo (a pior ideia que tive) e acabei caindo.

Tentei sobreviver ao quase suicídio e depois de ir ao banheiro para acordar realmente, segui para a cozinha. No caminho uma parada básica no computador para ver as notícias, e foi aí que tudo desandou de vez. No horóscopo uma mensagem nada amistosa para começar as atividades do dia: “Cuidado com altos e baixos nas finanças”. Com isso me lembrei das contas a vencer, de comprar a areia da gata, do presente de aniversário para minha irmã e o mais importante: que o salário ainda ia demorar para cair na conta, ou seja, eu estou dura e a responsabilidade não dá trégua nem por um minuto sequer!

Preocupada com a situação desliguei o maldito computador e liguei o rádio, nessas horas a música cai bem. O que era para me distrair apenas me lembrou de outro problema. E esse novo problema de nada tinha haver com dinheiro. Era a nossa música que estava tocando, aquela do dia em que nos declaramos quase que no mesmo instante que nos conhecemos. Lembrei que meu amado tinha me deixado na noite anterior, e que logo logo teria que retirar seus pertences do meu apartamento. Quem foi que disse que confiar em alguém é abrir o coração a uma possível decepção? Essa pessoa realmente sabe o que fala, não sei o nome mas sou fã, na verdade eu virei porque até então acreditava que era impossível me decepcionar. O amor parecia tão verdadeiro!

̶ Nada de lágrimas!  ̶  eu imediatamente me forcei a dizer  ̶  Ele não merece. Nem mesmo um sorriso quando esbarrar na rua!

Já atrasada corri para me arrumar. O cabelo acordara rebelde e o jeito foi fazer um rabo de cavalo e colocar uns grampos para segurar a franja. O corpo parecia rejeitar todas as roupas. Tive que usar uma daquelas batinhas, para disfarçar o que insistia em aparecer (lembrete: entrar na academia para mandar embora essas gordurinhas! P.S: Urgente!).

Na hora de subir no ônibus, depois de quase uma hora de espera e o estresse as alturas, o motorista nada educado e totalmente sem noção, arrancou sem dó nem piedade e eu quase voei pela porta. Minha cara na hora deve ter transmitido um ódio mortal e a única coisa que consegui fazer foi gritar, encarar, xingar e gritar novamente. Passei na roleta e assim que sentei mais uma mensagem me foi transmitida pela televisão do ônibus: “Não é um bom dia para resolver as coisas discutindo. Mantenha o alto astral para contornar as situações tensas”.

̶ Ah! Muito obrigada por me avisar só agora, só está um pouquinho atrasado senhor Horóscopo! ̶ confesso, quando percebi que tinha falado alto fiquei vermelha como tomate, você pode imaginar.

Me perguntei o por que dos astros estarem contra a minha pessoa. O que será que eu tinha feito para tudo isso? A grande questão: terá mais?

No trabalho tentei manter a calma. Digamos que eu consegui, pelo menos a maior parte do tempo. Tempo que estava corrido, mas um contra mim. Foi ai que escutei cochichos, de uma pessoa que posso dizer que não simpatizo nada. Sim, ela estava olhando para mim. E sim era sobre mim. O sangue subiu e quase falei o que não devia. Ainda bem que minha amiga Vivi interveio e me fez parar antes de começar a falar. Santa Vivi, sempre presente quando preciso. Com seu jeito paz e amor resolveu o problema. Depois claro leu meu horóscopo que disse ter visto mais cedo: “É preciso ter cuidado com as más línguas. Nem tudo são flores. Cor do dia: preto”. Depois dessa tive certeza, os astros estavam mesmo contra mim.

Após um dia exaustivo, corrido, irritante e estressante finalmente cheguei ao conforto da minha casa. Sininho como sempre me aguardava no sofá com seu jeito dengoso e carinhoso. Jantei, tomei um vinho e revi meu dia. Quem sabe o azar do pé esquerdo tenha dado um tempo. Antes de dormir uma última olhada no e-mail e no twitter. Mensagem nova piscando na tela (na verdade quase gritando): “Um dia, as coisas vão dar certo. Talvez não como você deseja, mas será o suficiente. Não perca as esperanças”. Valeu dia me despeço te amaldiçoando e dando unfolow nesse perfil “Signos”.

Na manhã seguinte nada de computador ou rádio. Dessa vez uma sms da Vivi: “Amiga olha o que está escrito para você: Os astros favorecem aumento de salário ou mudança de cargo. Conquista em alta”.

̶ Ah agora sim os astros voltaram ao normal! Bom dia dia! ̶ e para começar: os dois pés no chão!

terça-feira, 13 de setembro de 2011

A vez

Eu sabia que uma hora chegaria a minha vez.  Mas tão cedo?

Não sei se é o sol a pino, mas estou vendo tudo tão claro. Uma visão bem diferente da que tive durante toda minha vida.

Nesse instante vejo em quadros o que já aconteceu. Erros e acertos, todos juntos. Risos e lágrimas se complementam. Pessoas boas que ficaram e outras que não conseguiram me reter.

Será que a culpa é da sexta-feira 13? Essa coisa de azar já está tão consolidada, mas a verdade é que o azar está em todos os dias. Questão de sorte. Engraçado ver nesse momento que azar e sorte andam tão juntas, quase irmãs.

Enfim me despeço. Quem dera não ter pegado essa via, nem estar a essa velocidade. Sempre intensa. Pronta para tudo. Essa sou eu, ou era, dentro de segundos. Eternos segundos.

Mas espera! Esse ser do aquém e do além que me aguarda logo à frente na estrada se moveu! Na verdade parece pedir carona! Uma freira em seu hábito branco com óculos escuros!

  ̶̶ Desculpe irmã!

Que susto! Parece que a ‘minha vez’ não foi dessa vez!

sábado, 10 de setembro de 2011

A que vim

Pequenas coisas ou palavras escutadas por aí, às vezes ganham um espaço maior em nossas reflexões ao fim do dia.

Tudo causa um efeito, querendo ou não.

Vi, escutei, pensei, escrevi.

Boa leitura!


Priscilla Teles