É engraçado como às vezes o destino realmente nos surpreende.
Antes tudo estava tão claro. Tão preto no branco. E hoje estou aqui envolta de pensamentos e sentimentos sofridos, tristes e desastrosos.
Talvez nem seja o destino, coitado. Nós é que temos a mania de sempre querer um culpado.
Nos últimos dias me peguei por vezes com um olhar vazio, perdido entre a neblina que se tornou minha mente. Desde que se foi...
Me lembro do olhar duro, sem nenhuma compaixão. Me lembro do andar a passos largos, para se ver livre o mais rápido possível. Eu vi. As palavras ditas se tornaram lei. E elas machucaram tanto.
Não foi culpa minha. Repeti inúmeras vezes, mas parece que ninguém escutou ou quis acreditar. E eu fiquei até o fim, senti a dor da perda. Quem sabe eu aprenda com isso.
De certa forma, no fundo, eu sabia que um dia esse dia chegaria. Mas porque tão cedo? Eu esperava ter mais tempo para aproveitar sua presença.
Desculpa por não ter conseguido. Eu realmente te queria.
Ainda posso escutar meus pais no sermão básico:
̶ Sabia que ia dar nisso! Como você consegue! Esse já é o sétimo peixe que eu te dou que acaba morrendo de fome!
̶ Filha, depois dessa vamos deixar a idéia de um cachorrinho mais para frente, tá?
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